É uma boa ideia criar um aplicativo para o seu negócio?

Fatores como instalação, retenção e investimento influenciam na sua decisão.

Com um smartphone na mão de praticamente todo mundo e vendo as lojas de aplicativos acumularem mais de 2 milhões de aplicativos, tanto para Android quanto para iOS, muita gente pensa que mobile é o caminho. De fato. O slogan “there’s an app for that” de um comercial da Apple lá em 2008 já sinalizava a “revolução dos aplicativos”.

Hoje sabemos que o mobile é a chave: em julho de 2016, o Facebook atualizou o número de pessoas que usam sua plataforma. Já são mais de 1,7 bilhão de usuários ativos no mês, mas o impressionante é que 1,57 bilhão usam dispositivos móveis para acessar a rede social, sendo que 1 bilhão fazem isso diariamente.

Ainda que muito do tráfego aconteça no celular, nem todo negócio precisa criar um aplicativo para ter presença no mercado mobile. Para um app chegar na mão do seu usuário você precisa de desenvolvimento, publicação, divulgação, clique, download, instalação e uso frequente (caso contrário, ele vai ser desinstalado), ufa! Para fazer todos esses passos valerem a pena, o app precisa convencer o usuário. E nem sempre é isso que acontece.

Quando não devo fazer um aplicativo?

A não ser que você seja o novo Uber, que vai revolucionar o mercado de transporte individual, é preciso ver a criação de um app com muito cuidado. Tá, não é bem assim: se o seu negócio for centrado no mobile, não precisa faturar bilhões de dólares para saber que um aplicativo é interessante. Um aplicativo de delivery, por exemplo, é fundamental no celular porque a entrega vai ser onde o usuário estiver (e não onde tem um computador por perto).

No entanto, existem alguns aspectos que devem ser analisados para o investimento não ser em vão. Primeiro: o seu negócio já tem uma boa experiência no smartphone pelo site? Ou, ainda, você pode melhorar a experiência mobile do site sem criar um aplicativo? Essas questões são interessantes.

Health And Fitness Apps On Apple Iphone 5S

Mesmo que o seu app seja muito bom, ele ainda tem que estar instalado no dispositivo de alguém. Para isso acontecer, você precisa convencer o usuário a instalá-lo (e também a mantê-lo). Para isso, o aplicativo precisa gerar valor real para o cliente. Esse é termo geralmente tem significado diferente para cada categoria, mas no geral, o valor precisa ser diferente do que é entregado na web. Caso contrário, as pessoas vão continuar acessando seu site pelo navegador do celular.

O aplicativo precisa ser diferente do que é entregado na web. Caso contrário, as pessoas vão continuar acessando seu site pelo navegador do celular.

Instalação e Retenção: os dois pontos dos apps mobile

Veja alguns exemplos: um aplicativo que repete feeds, como um app de um blog de notícias ou outro que apenas é atualizado com vídeos do YouTube, não tem muito sentido. Eu consigo ter uma experiência muito melhor no próprio aplicativo do YouTube ou no próprio site de notícias. Às vezes não, porque a versão mobile não é muito boa, mas um app não atrairia muitos usuários ativos.

Por quê? Principalmente, por conta dos passos já mencionados, que criam uma barreira entre o conteúdo e o usuário que muitas vezes fazem ele desistir. Quantas vezes você já clicou em um link que funcionava bem na web, mas no celular te pedia para baixar o aplicativo? E quantas vezes você realmente baixou? Quantas você o manteve instalado?

Até o usuário instalar — e até mesmo manter — o aplicativo no celular existe uma barreira muito grande.

Além da instalação, outro bloqueio é a retenção do aplicativo. A pessoa pode instalar para ler o conteúdo, mas logo depois desinstala. Principalmente no Brasil, em que a maioria dos celulares tem apenas 16 GB, 8 GB ou até 4 GB de memória interna, um aplicativo a mais significa menos espaço para fotos e vídeos da família. Muitas vezes, no smartphone de baixo custo, nem cabe mais um app.

Esses dados foram observados pela Flurry Insights, que trabalha desde 2005 analisando interações dos usuários com apps mobile. Em 2014, a Flurry foi comprada pelo Yahoo!. Neste post, é possível ver a retenção e o engajamento de 830 mil aplicativos analisados de categorias variadas. Os dados também são recentes, divulgados em julho de 2016, e acompanharam a frequência de uso por semana comparando-a com a retenção do aplicativo por 30 dias.

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Com dados de Android e iOS, vemos, no gráfico acima, que a retenção de apps na plataforma do robôzinho verde é bem baixa. No quadrante I, estão os apps que são muito usados e têm usuários fieis (Clima e Saúde), no II os apps que são muito usados mas são rapidamente desinstalados (jogos casuais e finanças), no III os que são pouco usados e rapidamente desinstalados (quase todas as categorias) e no IV os que são pouco usados mas ficam no celular por mais tempo.

Combinando com o exemplo de apps de notícias, uma das únicas categorias no quadrante IV, vemos que um app desse tipo provavelmente não seria desinstalado rapidamente, mas seria pouco usado. Com isso, entramos em outra questão: nesse caso, vale o investimento e tempo para um aplicativo que vai ser pouco usado? E se a experiência mobile do site fosse melhorada, será que não traria a mesma audiência com um investimento muito menor?

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No iOS, representado pelo gráfico acima, o cenário é menos apocalíptico, mas as categorias com alta retenção são praticamente as mesmas. Se você tem uma loja grande ou de varejo e quer fazer um aplicativo, ele provavelmente se encaixaria no quadrante IV, que também pode ter uma boa rentabilização em anúncios (por ficar mais tempo instalado no smartphone).

Mas, para comércios pequenos e especializados, é difícil fazer com que o aplicativo saia do quadrante III, ainda que o usuário seja obrigado a usar o app para celular ao comprar, em vez de recorrer ao site. Mesmo considerando que o app ofereça uma ótima experiência, vai ser difícil ele convencer o usuário que só quis comprar um perfume, por exemplo, a deixar o app lá para procurar por outros produtos parecidos. A conversão gerada pode não valer a pena frente ao investimento no aplicativo.

Esse valor, inclusive, não é só para o desenvolvimento para uma só plataforma — que já custa caro. Para o aplicativo oferecer uma ótima experiência, que já havíamos considerado, ele precisa ter (boas) versões pelo menos para Android e iOS, plataformas distintas com dificuldades específicas na hora de desenvolver. A manutenção do aplicativo também deve ser considerada: se você colocou algum recurso novo na sua loja ou adicionou uma página especial, o aplicativo deve refletir isso.

Ainda há esperanças

Ok, então eu não devo lançar um aplicativo de forma alguma? Não é bem assim: existem alguns diferenciais nesse meio que tornam todo esse esforço interessante. Com retenção alta, o quadrante IV é bom para  aplicativos informativos — e, como mencionado, você pode rentabilizá-los com anúncios. Pessoalmente, deixo o aplicativo do Metrô de São Paulo instalado para eu poder consultar quando viajo à cidade, o que acontece frequentemente.

Um fenômeno parecido foi observado pela Flurry. Aplicativos de finanças, revistas, saúde e fitness, por exemplo, ficam no quadrante IV por conseguirem fidelizar usuários, ainda que não tenham acesso constante todos os dias. Um app para monitorar a saúde e a alimentação pode ser interessante, ou até mesmo aquele que entrega uma curadoria dos melhores dados financeiros.

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Ainda que o seu negócio não se encaixe nas categorias acima, você pode pensar em soluções criativas para atrair usuários. A produtora Porta dos Fundos, em vez de criar um só aplicativo para acompanhar os vídeos, eles criaram uma série de games para reforçar a marca e criar uma persona dos integrantes. O “Voa Totoro” é um Flappy Bird temático que teve 100 mil downloads. Quase o dobro do bem mais elaborado “Porta Quiz”.

O aplicativo do Jovem Nerd também é um bom exemplo. Ele agrega todo o conteúdo que eles produzem, incluindo vídeos, notícias, reviews e especiais, além de podcasts. O interessante, nesse aspecto, é que há um player de podcast nativo que funciona muito bem, permitindo ao usuário favoritar episódios e criar listas de reprodução. Bônus: ao escutar o podcast no aplicativo, ele mostra as referências citadas automaticamente.

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De qualquer forma, usar a criatividade é um dos pilares fundamentais para poder reforçar a marca e o produto do seu aplicativo.

Ignorar mobile é ignorar audiência

Mesmo se não é interessante para o seu negócio ter um aplicativo em si, a presença do mobile hoje é tão grande que ignorá-la é igual a perder (ou não aproveitar toda a sua) audiência. Com 1 bilhão de usuários ativos todos os dias no Facebook mobile, uma hora alguém vai clicar naquele link da sua loja mas pode não prosseguir porque o site não está otimizado.

Responsive web design concept. Desktop computer, tablet pc, lap

Já explicamos aqui como funciona um site responsivo e é por esse caminho que você deve seguir. Com um bom projeto, você consegue melhorar até o jeito que o seu site se comporta na web e dar uma boa incrementada na experiência de usuário.

Para os mais técnicos, também é possível fazer com que o seu site se comporte como um aplicativo. Por exemplo: usuários podem fixar páginas da web na página inicial do celular, e com um simples código você consegue implementar isso. Algumas plataformas se conectam com os serviços de notificações do Android e iOS para disparar notificações.

Com essas implementações e um bom layout responsivo, você tem o melhor dos dois mundos: uma interface apelativa aos smartphones e que não perde muito para um aplicativo por oferecer boa integração com o smartphone.

Ficou com alguma dúvida ou quer testar algum recurso? A One Day Testing é multiplataforma: onde você precisar, avaliamos o seu produto para você se preocupar apenas com o andamento do projeto, deixando os testes por nossa conta. Envie um e-mail para julio.viegas@sofist.com.br para obter mais informações! =)