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A vantagem oculta de desenvolver para plataformas atualizadas

Uma das medidas preventivas de segurança digital mais faladas e fáceis de aderir é manter os sistemas atualizados. Apesar dos esforços gastos no processo e do risco envolvido, sistemas domésticos são confiáveis e na maioria dos casos, atualizados sem sustos. Mas há outras vantagens além da segurança e que, de modo mais amplo, respingam em toda a plataforma e nos atores que orbitam ao redor dela.

O maior incentivo para um usuário comum atualizar seus sistemas é a oferta de novos recursos e correções de problemas. O mercado evolui, à revelia ou através de mudanças no sistema.

De um lado, novos apps de terceiros trazem dinâmicas diferentes e mudam a percepção e as expectativas dos usuários. Do outro, as donas das plataformas sobre as quais esses apps rodam precisam acompanhar as evoluções deles e oferecer bases para que outras futuras aconteçam ali.

Tal sinergia depende que esse tripé — dona da plataforma, desenvolvedores e usuários — se mantenha nivelado. É nesse sentido que a base atualizada transcende o aspecto da segurança. Manter o sistema na última versão disponível gera benefícios indiretos a todos os usuários.

Android vs. iOS

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Tomemos como exemplo os smartphones, a grande plataforma mais recente na indústria de consumo e, também, a maior que a humanidade já viu com cerca de 2,5 bilhões de usuários e com previsões de dobrar esse número nos próximos anos.

Android e iOS disputam esse mercado. As filosofias e atitudes em relação à uniformidade da base são opostas, o que nos dá bons insumos para elaborar esse argumento.

De um lado, o Android é descentralizado no que diz respeito às atualizações. O Google desenvolve e libera novas versões do sistema, mas cabe às fabricantes de smartphones e operadoras o trabalho de testar, homologar e distribui-las aos consumidores. Isso raramente acontece e, quando sim, costuma ser com bastante atraso.

Isso nem sempre acontece porque para esses players, faltam incentivos na manutenção de dispositivos já comercializados. De modo grosseiro, quer dizer que nem a fabricante nem a operadora ganham um centavo sequer com a liberação de uma nova versão do Android para um smartphone já lançado.

O reflexo dessa abordagem se vê no fragmentado gráfico das versões de Android em uso. Lançado em agosto, o Android 7.0 “Nougat”, três meses depois, ainda não chegou a 0,1% da base de smartphones Android em uso. A versão anterior, a 6.X “Marshmallow”, está em 18,7% dos aparelhos, porcentagem menor que as duas anteriores a ela — 35% na 5.X “Lollipop” e 27,7% na 4.4 “KitKat”, lançada no já longínquo outubro de 2013, há três anos.

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No iOS a história é bem diferente. A Apple mantém o controle absoluto do processo de atualização, sem qualquer interferência das operadoras. Ser a única fabricante de dispositivos facilita, já que as adaptações, necessárias a hardwares diferentes, são em menor número — existem, literalmente, milhares de dispositivos Android diferentes entre si.

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Historicamente, novas versões do iOS são instaladas rapidamente pela base de usuários. Em menos de dois meses, a última, o iOS 10, lançada no começo de setembro, já está em 60% da base instalada de iPhone e iPad, segundo dados da própria Apple. Outra fatia considerável, de 32%, usa a versão imediatamente anterior, o iOS 9. Apenas 8% dos dispositivos iOS em uso estão em uma versão mais antiga.

O sucesso no processo de atualização do iOS é tamanho que, no iOS 10, a Apple se deu ao luxo de adiar os avisos de nova versão que tipicamente mostra logo após a liberação de uma versão final. Dessa vez, eles apareceram apenas duas semanas depois e, mesmo assim, o ritmo da atualização foi mais acelerado que o de versões anteriores.

A vantagem oculta do sistema atualizado

Evolution Of Apple Iphone

Nem sempre todas as novidades de uma versão se aplicam a um dispositivo atualizado. Duas do iOS 9, por exemplo, o “Night Shift”, que filtra a tela de cores azuladas à noite a fim de não atrapalhar o sono (versão 9.3), e os bloqueadores de conteúdo, que permitem a instalação de bloqueadores de anúncios no Safari, são exclusivos de dispositivos com CPU de 64 bits, caso do iPhone 5s em diante. Aparelhos mais antigos, como o iPhone 5, mesmo recebendo a versão não oferecem esse recurso.

Ainda assim, há uma grande vantagem em manter o dispositivo atualizado: o suporte a funções e APIs novas. API é um trecho de código que a fabricante disponibiliza para que desenvolvedores trabalhem em cima. Quando alguém que cria apps adota uma dessas novas funções, seu app passa a exigir a versão do iOS que as trouxe como mínima para rodar.

Assim, não há nada, no próprio sistema, que impeça alguém de usar o iOS 6 ou qualquer versão antiga. O principal entrave é que muitos apps “quebrariam”, ou seja, não funcionariam direito ou sequer abririam numa versão tão antiga — o iOS 6 foi lançado em 2012.

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Outro exemplo mais recente: as extensões para Mensagens, Siri, Mapas e Telefone do iOS 10. Desenvolvedores podem integrar de modo mais profundo seus apps a esses serviços básicos do sistema, porém isso só funciona se o iPhone do usuário já estiver atualizado.

É aqui que as coisas se conectam: a adaptação de um app a essas novas funções é gratuito, logo, é preciso uma boa motivação para se encarar o trabalho e o custo que ela gera. Saber que, em menos de dois meses depois de lançada, a nova versão que traz tais novidades já está em mais da metade da base instalada é um grande motivador.

É por isso que se vê novos recursos e novos apps primeiro ou até exclusivamente no iOS. A plataforma é mais consistente, previsível e saudável. A fragmentação do Android, que para ser justo, o Google tenta combater com medidas circunstanciais como o Google Play Services, afeta a plataforma também nesse sentido.

É importante saber o que a maior parte do público-alvo poderá usufruir do seu app antes mesmo de iniciar o desenvolvimento dele. Esse direcionamento de plataforma, versão mínima exigida e recursos explorados não é algo simples. A One Day Testing assessora desenvolvedores de todos os portes. Faça um orçamento sem compromisso e evite contratempos depois de já ter gasto tempo e dinheiro.