Em um novo projeto de TI sempre surge a dúvida em como formar a equipe de profissionais de Quality Assurance (QA) que vai acompanhar todo o processo, da ideia ainda no papel ao teste desse software. Afinal, cada projeto tem suas complexidades e particularidades e, assim, exige perfis e níveis de conhecimento diferentes.

O mais importante é entender que não existe uma opção certa ou errada quando o assunto é a composição do time. Cada projeto deve ser analisado e planejado, avaliando todas as demandas e os recursos que a empresa dispõe naquele momento.

A equipe de QA, independentemente de sua estruturação, deve estar próxima de analistas e desenvolvedores em todo o processo para ter mais chances de encontrar pontos de melhorias e buscar pelas soluções mais adequadas, sendo mais ativa do que reativa.

Portanto, no decorrer desse texto, pontuo algumas das vantagens e desvantagens para cada tipo de formação e reforço a importância da comunicação entre todos para que o melhor resultado seja alcançado.

Equipes internas e externas (ou terceirizadas)

Optei por não separar a opinião que tenho sobre as equipes internas e externas de QA, pois entendo que o que é o ponto forte de uma é o ponto fraco, ou desvantagem, da outra e vice-versa.

A principal e mais importante vantagem em ter uma equipe interna de QA formada e bem preparada é que os profissionais conhecem muito bem a empresa, desde a sua história, princípios, posicionamento perante o mercado até os detalhes dos fluxos de trabalho e regras de negócio dos produtos. Alguns produtos, principalmente aqueles mais complexos, não são triviais de serem entendidos e exigem um conhecimento que não é absorvido de um mês para o outro. Agora imagine um produto com regras de negócio complexas e que não possui documentação.

A desvantagem é que esses profissionais podem não conseguir olhar além do que é solicitado e do prazo estabelecido. O que quero dizer é que a rotina e as exigências feitas podem se transformar em obstáculos e impedir que tenham uma visão estratégica do negócio e do projeto. Muitos times trabalham em uma rotina tão intensa onde não há espaço para inovação e criatividade, dois itens essenciais para que haja qualquer chance de melhoria nos processos internos.

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Já no caso das equipes externas de QA, a linha de raciocínio é inversa, ou seja, os profissionais de fora não tem o mesmo conhecimento aprofundado sobre a empresa dos que atuam internamente. Normalmente há um período em que o time atua e, em paralelo, absorve conhecimento das regras de negócio.

No curtíssimo prazo, a equipe externa pode trazer uma perspectiva nova sobre o projeto que está em desenvolvimento. As equipes terceirizadas normalmente já trabalharam em uma variedade maior de projetos, o que faz com que seu cardápio de soluções possíveis para problemas seja útil para o projeto. Quando estamos falando em formar uma equipe de QA do zero e ter resultados rapidamente, ter o apoio de uma equipe externa pode ser essencial.

Quando estamos falando em formar uma equipe de QA do zero e ter resultados rapidamente, ter o apoio de uma equipe externa pode ser essencial.

O papel do profissional de QA, principalmente em projetos ágeis, é a soma das habilidades descritas acima, pois ele vai dar apoio nos testes unitários de componentes, criar cenários para que haja um entendimento completo dos requisitos do produto, encontrar e replicar defeitos, testar também a performance e a segurança, entre outras responsabilidades.

Por esses motivos, se você é gestor de uma área, deve colocar na ponta do lápis o tempo, o investimento, os perfis dos profissionais e tudo o que for relevante no projeto para fazer uma escolha assertiva.

Equipes mistas

A equipe mista de QA surge como alternativa para quem quer unir os prós da equipe interna e da externa. Entre os benefícios de integrar profissionais que atuam internamente com os terceirizados, independentemente do tamanho dessa equipe, estão:

  • Pontos de vista diferentes – reunir pessoas que conhecem o dia a dia da sua empresa com o olhar mais crítico e apurado de quem não vive essa mesma rotina. Cada vez mais, o especialista de testes deve ser ativo e não reativo, tendo a capacidade de mensurar e analisar a qualidade do produto no decorrer de todas as etapas;
  • Intercâmbio de conhecimento – os profissionais podem compartilhar conhecimentos e experiências trazendo soluções inovadoras ao projeto. A distribuição de funções quando bem feita reflete nesse intercâmbio, pois cada colaborador tem um perfil profissional e ao conhecerem suas responsabilidades, consequentemente, poderão interagir entre si de forma sincronizada. Isso também minimiza erros;
  • Otimização de tempo – a empresa, às vezes, não tem o tempo necessário para preparar novos profissionais, então, os profissionais de QA terceirizados podem dar o apoio em etapas específicas para que o projeto seja entregue no prazo;

O cuidado aqui deve ser integrar uma equipe externa que entenda profundamente da área de atuação. Infelizmente, já vivenciei oportunidades em que o time envolvido não estava capacitado tecnicamente para realizar as atividades de QA, ou seja, era um completo caos.

Saber escolher muito bem o parceiro técnico que vai apoiar sua equipe interna é fundamental.

Além desses pontos que coloquei acima, a empresa pode encontrar o equilíbrio que precisa através das equipes mistas de QA bem estruturadas com os profissionais certos compondo o time, das responsabilidades definidas e também do fluxo de comunicação estabelecido – ponto que detalharei no item a seguir para quem não haja sabotagem ou mal entendidos em um projeto.

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Integração do time

A comunicação clara e objetiva é a chave para que os profissionais de testes, internos e externos, estejam integrados e trabalhem em sintonia. Nesse quesito, o papel do gestor é essencial, explicando todos os passos que serão dados, distribuindo as funções, listando as tarefas a serem executadas, elaborando cronograma detalhado e calculando e/ou apresentando o orçamento.

Ao apresentar o projeto (ou mesmo a ideia do projeto), o gestor pode abrir para perguntas de sua equipe. A participação da equipe é vital e, se não acontecer, pode atrapalhar o progresso da implementação do software. Por isso, dar essa abertura e estimular a participação de todos com dúvidas e sugestões são essenciais. Coloco aqui a clareza do gestor na comunicação como algo vital, pois a equipe externa não está trabalhando para retirar oportunidades da equipe interna, e vice-versa. Os piores cenários que já vivenciei foram aqueles em que havia um sentimento claro de “ciúme” entre as equipes.

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Em algumas oportunidades, vivenciei casos em que o QA interno não compartilhava detalhes com o time externo, pois visivelmente observava nosso time (externo) como uma ameaça. Neste caso específico, entendemos posteriormente que faltava alinhamento interno no cliente entre o gestor e sua equipe interna sobre a estratégia de envolver uma equipe externa para apoiar as atividades de QA. De fato, o ser humano normalmente não se sente confortável com mudanças sem antes ter noção que ocorrerão mudanças.

Garantir que sua equipe interna entende profundamente a sua estratégia como gestor do projeto é fundamental para que a equipe mista gere o máximo de valor.

Para facilitar a interação e comunicação no caso das equipes mistas de QA (principalmente quando os times trabalham remotamente), a empresa pode seguir por dois caminhos: ter um líder para o projeto que será a ponte entre os profissionais internos e externos; ou ter uma pessoa de referência interna e outra externa para que alinhem juntas todo o trabalho a ser executado, cobrando prazos, acompanhando as etapas e tirando as dúvidas dos envolvidos que podem surgir durante o projeto.

O fluxo de comunicação de qualidade, bem estruturado e sem ruídos leva automaticamente à segurança do projeto, sem que informações sejam perdidas no decorrer desse processo e fazendo com que os profissionais estejam alinhados com os objetivos de negócio. Quanto mais gente feliz em seu projeto, maiores as chances de sucesso no final.

Decisão

Como escrevi no início desse texto, não há certo ou errado na formação de uma equipe de QA. Há prós e contras, claro. Se o gestor atentar-se para a comunicação bem realizada e qualidade técnica de seu parceiro externo, com certeza os profissionais envolvidos entregarão um software que oferecerá a melhor experiência para o seu usuário.

Nós já trabalhamos de inúmeras formas com nossos clientes e parceiros, e entendemos profundamente como podemos complementar os times internos de QA. Caso seu projeto não tenha uma equipe interna de QA, temos o processo mais eficiente e eficaz para gerarmos valor desde o primeiro dia de trabalho.

Ainda tem dúvidas? Vamos bater um papo que poderei ajudá-lo a tomar a melhor decisão para o desenvolvimento de seu negócio. Envie um e-mail para bruno.abreu@sofist.com.br ou ligue em (19) 3291-5321. Conte conosco!