Não ignore o navegador do Facebook: por que ele é importante

Provavelmente você nunca deu importância ao navegador embutido no app do Facebook. É muito fácil ignorá-lo: seus usuários não o consideram um “navegador”, por ele ser bem automático e embutido. Uma vez desabilitado, pode ser esquecido para sempre. De fato, a maioria das pesquisas sobre ele em ferramentas de busca são de pessoas querendo saber como desabilitá-lo em seus dispositivos Android ou iOS.

Mas, se você não procurou saber o impacto desse navegador em seu site, pode valer a pena fazê-lo. O navegador in-app do Facebook está crescendo e levanta algumas questões para donos de sites e especialistas em marketing. Com uma nova versão em testes que procura se aproximar dos navegadores mais populares do mercado, como Chrome/Firefox/Edge/Safari, agora pode ser a hora de obter respostas para essas questões.

Por que ele é importante

Se você não se deparou com este navegador ainda, então ou você não usa o app do Facebook, ou provavelmente já o desabilitou e esqueceu que ele existe (por alguma razão só pode desativá-lo quem usa Android). É uma janela de navegador simplificado e sem muitas das opções e capacidades presentes nos navegadores completos do mercado, e que é aberto quando você clica em um link dentro do app do Facebook.

O “navegador” é, na verdade, apenas uma janela de visualização que fornece capacidade limitada de navegação, como um subprocesso do app que o abre. A sua principal utilidade é compartilhar informações com o app-pai (o do Facebook).

Exemplo do navegador do Facebook

Exemplo do navegador do Facebook

Por que eu não vejo este navegador nas minhas ferramentas de analytics?

“Navegadores in-app” não são navegadores de verdade, mas apenas janelas de visualização que rodam se baseando no navegador principal do seu dispositivo. O Safari passa a descrição “in-app” para o nome do navegador, mas outros navegadores não colocam nada. O resultado disso no Google Analytics é que ele registra o acesso por um navegador in-app executando sobre o Chrome como apenas “Chrome”, por exemplo.

No entanto, navegadores in-app até são identificados na descrição do user agent (os identificadores FBAV e FBAN são deixados pelo navegador do Facebook). Mas isso não aparece no Google Analytics.

Janelas de visualização baseadas no Safari são facilmente identificadas no GA, mas com outros navegadores isso passa despercebido.

Janelas de visualização baseadas no Safari são facilmente identificadas no GA, mas com outros navegadores isso passa despercebido.

Quem usa esse navegador?

A opção do navegador vem ativada por padrão no app, então basicamente todo mundo. Segundo o Facebook, o navegador foi implementado por oferecer mais “velocidade” aos usuários. Realmente: navegadores embutidos certamente conseguem carregar e exibir páginas mais rapidamente do que usando um navegador próprio.

No entanto, leitores mais atentos provavelmente chegarão à conclusão que o objetivo real pode ser simplesmente aumentar o tempo de uso do app do Facebook. Usuários abrindo links em navegadores embutidos tem mais chances de retornarem ao app quando terminam de navegar. Isso dá ao Facebook mais oportunidades de exibir aquelas propagandas importantes.

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Ou outros benefícios, além dos anúncios. Por exemplo: se um link abre no Chrome, o Facebook perde a chance de obter mais informações sobre o comportamento do usuário, até que ele decida retornar por conta própria ao app. Links que abrem no navegador in-app permitem ao aplicativo continuar coletando informações sobre o comportamento do usuário, e construir um perfil melhor para exibição de anúncios direcionados especificamente a essa pessoa.

Estrategicamente, há ainda mais valor ao se certificar que os dados continuem sendo coletados dentro do app. O Facebook é, essencialmente, uma empresa de anúncios online, o que significa que sua maior competidora é nada menos que o próprio Google. O Google é totalmente dominante como uma plataforma de anúncios online. Assim que usuários abandonam o território que o Facebook controla e entram na internet aberta, eles estão entregando seus dados ao seu maior rival.

À medida que a publicidade online fica mais sofisticada, e anunciantes procuram cada vez mais gastos focados com propagandas, o dinheiro segue quem oferece mais dados.

Qual o impacto esse navegador gera pra você

1. Mais atenção nos cookies

Muitos navegadores colocam barreiras ao uso de cookies que são familiares a qualquer um que já explorou os desafios de compatibilidade entre browsers. Mesmo que estejam no mesmo dispositivo, cookies salvos no navegador principal do usuário não são acessíveis dentro do navegador in-app (e vice-versa). Cada um tem o seu conjunto de cookies salvos e separados um dos outros. Sites que usam cookies para personalização precisam tratar usuários in-app como usuários diferentes do usuário acessando pelo navegador principal, mesmo que este acesso seja pelo mesmo dispositivo.

Para sites que usam esses dados para personalização de anúncios, a falta de cookies tem um efeito mais imediato. Anúncios são direcionados aos usuários baseados no perfil que é obtido a partir de cookies, e isso é um problema quando há dados diferentes e separados para o navegador principal e para o navegador embutido. No Safari os navegadores in-app bloqueiam todos os cookies de terceiros, aumentando mais ainda o problema. Sem esses dados, os anúncios tendem a incomodar mais e entregam menos valor a anunciantes que gastam mais em anúncios direcionados. E isso diminui os ganhos com anúncios.

2. Menos funcionalidades

Navegadores embutidos são leves e tem menos funcionalidades. Eles não usam abas, não permitem aos usuários usar “Favoritos”, não tem barras de navegação, entre outras coisas. Não ter abas significa também não ser possível abrir links em novas janelas – todos esses problemas podem impactar a experiência do usuário se você não levá-las em conta em seu site.

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3. Exibição de páginas

Páginas podem ser exibidas de forma diferente (e de forma menos confiável), novamente um problema que merece ser testado se novas referências de usuários são uma parte importante da sua estratégia de geração de tráfico.

4. Retornos com anúncios

Aqueles cujos sites dependem mais de exibição de anúncios devem estar mais familiarizados com as limitações do navegador do Facebook. A falta de dados disponíveis para redes de anúncios fora do Facebook pode resultar em ofertas bem menores para cada impressão de um anúncio.

Esse navegador é um problema?

Depende. O Facebook está testando uma versão completamente nova de seu navegador embutido. Com algumas funcionalidades de navegação a mais ele parece estar tentando obter mais tempo de navegação dos usuários, o que, em tese, piora os problemas.

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O que você pode fazer para contornar o problema

Antes de mais nada, você precisa entender como estes problemas estão afetando (ou não) o seu site. Isto significa configurar seu Google Analytics. Uma abordagem recomendada é passar os detalhes do navegador in-app como uma custom dimension (dimensão personalizada). Veja neste link para um tutorial completo sobre como fazer isso.

Realizar esta configuração permite que você use estes dados em vários relatórios sem sobrescrever dados importantes. Dessa forma, você consegue facilmente ver o impacto de navegadores embutidos em métricas como taxas de bounce, profundidades de visitas, taxas de conversão, lealdade de usuários e até mesmo retornos em anúncios.

Com esses dados na mão, você poderá entender melhor o que o crescimento dos navegadores in-app significa para o seu site e decidir quais ações tomar. Fez algum teste e quer saber se funciona? Nós, da One Day Testing, podemos te ajudar a avaliar se o navegador do Facebook vai te trazer soluções, e não problemas. Me mande um e-mail: julio.viegas@sofist.com.br.

Abraços e até a próxima!

Este foi um artigo traduzido e adaptado para o público do Blog One Day Testing. Clique aqui para ver o conteúdo original.