Segundo o dicionário Michaelis, acessibilidade significa facilidade de acesso.

No contexto que trataremos nesse artigo (ou seja, acessibilidade na web) significa repensar o processo de desenvolvimento para garantir que pessoas com deficiência percebam, entendam, naveguem, interajam e contribuam para a web.

As pessoas que precisam de aplicações acessíveis são aquelas que possuem uma ou múltiplas deficiências, seja por condição de saúde ou alteração de habilidade (acidentes ou doença progressiva), deficientes auditivos, cognitivos, físicos, visuais, de discurso entre outros.

A acessibilidade no mundo atual

Segundo a Folha de São Paulo, em três dias de quarentena foi registrado um aumento de 40% do tráfego de internet no Brasil, indicando que as pessoas estão fazendo maior uso da web.

Considerando que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 45,6 milhões de pessoas no mundo possuem algum tipo de deficiência, é inevitável pensarmos: será que elas estão conseguindo realizar suas atividades online de forma eficaz e independente?

Será que esse público tem conseguido, por exemplo, solicitar o Auxílio Emergencial pelo site ou até mesmo realizar compras via e-commerce (dado que houve um crescimento de 132,8% no varejo online brasileiro em maio de 2020 em comparação ao ano passado)?

O direito desse público de acessar a web de forma fácil e sem barreiras é assegurado por órgãos e leis como Lei Brasileira de Inclusão, e até mesmo penalidades podem ser aplicadas caso a navegação seja impedida.

Foi o que ocorreu com pizzaria Domino’s nos Estados Unidos: um deficiente visual acusou judicialmente a empresa por não criar uma plataforma acessível. O veredito a favor do usuário legitima a obrigação judicial para que a pizzaria repense o desenvolvimento de suas plataformas.

A organização W3.org, de acordo com a padronização da Word Wide Web, desenvolveu uma iniciativa de acessibilidade chamada WAI-Aria. Essa iniciativa possui um estatuto chamado W3C; são orientações para que a web seja perceptível (ver ou ouvir), operacional (digitação ou voz), compreensível (linguagem simples) e robusta (uso de diferentes tecnologias assistivas).

Também, o eMAG, órgão do governo eletrônico, instrui, além de seguir os padrões da web acessível pelo W3C, realizar avaliações de acessibilidade, ou seja: testar!

Conforme diz o órgão: “Após a construção do ambiente online de acordo com os padrões Web e as diretrizes de acessibilidade, é necessário testá-lo para garantir sua acessibilidade.”

Mão na massa: testando acessibilidade na web

Para iniciarmos o teste de acessibilidade em um domínio, é necessário o entendimento de que estamos quebrando barreiras. Tornar um site acessível é um processo evolutivo, ou seja, não existe um domínio perfeitamente acessível.

Essa evolução acontecerá na descoberta da cobertura da deficiência, no mapeamento dos requisitos, na prototipagem, durante o desenvolvimento, no decorrer do teste, até o momento da publicação.

É papel do analista de teste analisar cada etapa desse processo, verificando por exemplo, se alguns pontos estão contemplados no site, como:

  • As informações e interfaces são perceptíveis, operáveis e compreensíveis para os usuários?
  • Possuem textos legíveis, de fácil compreensão para ver e ouvir, assim como alternativas não textuais, legendas e multimídia?
  • O conteúdo causa convulsões e reações físicas, como cores fortes e animações rápidas, sem opção de pausa?
  • Os usuários têm tempo suficiente para ler, encontrar e navegar pelo conteúdo?
  • Os usuários podem usar diferentes modalidades de entrada além do teclado?
  • Os usuários são ajudados a evitar e corrigir erros?
  • Existe a compatibilidade com ferramentas atuais e assistivas, como os leitores de tela?

Aqui vão algumas dicas:

Declare os idiomas no HTML para facilitar a comunicação do leitor de tela

Permita que as ferramentas de leitura para deficientes visuais interpretem as palavras conforme sonoridade do idioma de origem do conteúdo.

Descreva textualmente os campos obrigatórios

Como por exemplo: “todos os campos obrigatórios são marcados com um asterisco (*)”) para facilitar a comunicação do usuário com leitores de tela e preenchimento dos campos.

Descreva imagens

Para que as ferramentas para deficientes visuais possam narrar as imagens de forma detalhada.

Logo da Sofist com tamanho da imagem

Código HTML que indica o texto alternativo do logo da Sofist, dizendo "Sofist Logotipo"

Permita que o zoom chegue a 200% de redimensionamento sem quebras de layout

Deixe que o próprio usuário defina o tamanho do conteúdo para visualização, dado que, por exemplo, 60% da população brasileira possui astigmatismo, doença que dificulta a leitura.

Substitua links genéricos como “Clique aqui” para a real descrição do redirecionamento

Dado que durante a leitura de um site, o usuário estará ciente para onde será redirecionado e qual o intuito do redirecionamento.

Botão de chamada para ação da homepage do site da Sofist com a frase "Quero receber informações de um especialista da Sofist"

Dê preferência para formulários verticais

Assim, todos os campos serão visualizados por completo ainda que o usuário opte por utilizar zoom.

Garanta que erros e avisos sejam intuitivos e exibidos em cor e texto

Para que o usuário seja informado de forma explícita como poderá corrigir o erro e para que todos possam compreendê-lo, independente da cor, como no caso dos daltônicos.

Formulário de contato da Sofist, com uma mensagem de erro indicando que o usuário esqueceu de preencher algum dos campos.

Utilize marcações H1, H2, H3 para estruturar o site

As marcações categorizam os elementos da página, fazendo com que a navegação com uso de ferramentas assistivas seja ordenada por prioridade.

Faça uso de dica de campos

As dicas de campo reforçam quais os dados que deverão ser preenchidos pelos usuários nos formulários.

Formulário da Sofist com os placeholders destacados

Você também pode utilizar checklists como o do governo eletrônico eMAG e Acesso para todos, validar se todos os componentes da WAI-Aria constam no código de desenvolvimento e fazer uso de ferramentas e leitores de tela.

Ferramentas que ajudam a garantir acessibilidade na web

São exemplos de ferramentas desktop:

Os navegadores como Google Chrome e Firefox também oferecem navegação via teclado, ajuste de cores, texto alternativo e descrições longas.

Conclusão

Vimos o que é acessibilidade web e sua relação com teste de software. Podemos concluir que, enquanto testadores e como integrantes do desenvolvimento, somos responsáveis por garantir a qualidade de acessibilidade na internet, quebrar barreiras e consequentemente fornecer maior visibilidade e usabilidade do site, tornando-o uma referência online.

  • Jeniffer Deus

    Parabéns pelo texto e pela consciência sobre este tema tão importante, Aline! <3